Licença
os três balançam a cabeça
o casal de amigos com sua piada interna, com sua piada interna e com sua piada interna acabam e saem
o todo-de-branco: licença e boa-tarde!
mesa vazia + eu = local propício para loucos
chega-me correndo um cabeol Chico César, deixa a bandeja e, atrapalhado, coloca na frente dela um maço de papeis enrolados
casaco na cadeira e vai buscar o omelete e a fruta.
[reparo a bandeja e o comparo com o guri da montanha de rúcula
só que era uma montanha de risoto!
enquanto isso senta uma menina educada na minha frente]
grita algo com a tia do melão e volta correndo
pega a bandeja e volta com DOIS pedaços de omeletes e DOIS de melão.
sai correndo outra vez
some
procuro
acho-o no bebedouro com um copo plástico
reflito ali que trinta centavos fazem a diferença e que a montanha de risoto deve ser a melhor (se não for a única) refeição do sujeito.
volta o Chico
sua presença OFUSCA os outros componentes da mesa
palma da mão com palma da mão e manda um salve-ave-maria-sei-lá
sorrio e recebo outro de volta
[a menina educada se faz
pede licença um manolo dos dread com fones de ouvido do meu lado
ele recebe a tal da salvação]
a montanha é destruida pelo e somente pelo garfo.
esqueci: fede
[acho que foi por isso que a menina fez a egípcia antes]
o maço de folhas que estava agora no colo vai para dentro da camisa, pela gola
reforço: fede
queria ficar mais ali, analisando-o, mas já acabava meu almoço...
Mama África!
Nenhum comentário:
Postar um comentário