sexta-feira, 24 de setembro de 2010

#massa e medicina



Sempre achei o pessoal da saúde muito diferente do pessoal da comunicação. Acho facilmente perceptível - seja por causa das roupas, do comportamento, dos gestos, seja por causa do vocabulário - que são "culturas" distintas.

Ademais, sempre achei fácil também diferenciar o pessoal da medicina do resto da área da saúde. A medicina é o ápice. Qualquer olhar mais atento percebe que eles são os mais sérios, os que parecem mais centrados, mais educados, tipo “outro nível”. Quase inalcançáveis, por nós, meros mortais, pessoas reles da comunicação.

Essa foi a visão que sempre tive, até observar um futuro médico almoçando no RU. Acho que esse é um dos únicos momentos em que somos todos iguais. Nessa hora, e somente nessa hora, é que podemos notar que pertencemos a mesma classe. Humanos, demasiadamente humanos.

Ele avançava sobre um prato de massa como se este fosse o último do planeta. Que cena! Tá certo que eu gosto de gente intensa, mas não desse jeito. Onde foi parar todo aquele comedimento, aquela educação? O que o fez liberar aquele instinto primitivo? Será que um prato de massa pode revelar tanto sobre uma pessoa?

Sei lá. Só acho passei a acreditar um pouco menos na humanidade.